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CONMEBOL condena expressões discriminatórias e endurece combate ao racismo

  • Em uma carta enviada à FIFA, a CONMEBOL manifestou sua rejeição às recentes declarações de Arsene Wenger, alto funcionário da entidade matriz do futebol mundial.
  • A CONMEBOL lamentou que a aprovação das cinco modificações por equipe em jogos oficiais tenha ocorrido sem um processo de consulta e debate.

A CONMEBOL enviou uma carta para a FIFA declarando sua posição sobre dois eventos que geraram diversas opiniões no mundo do futebol nos últimos dias. Em vista da relevância do assunto e com o espírito de contribuir para um debate construtivo, são apresentadas algumas considerações contidas no referido documento.

Em primeiro lugar, a CONMEBOL rejeita e condena as infelizes expressões do alto funcionário da FIFA, que é muito próximo do Presidente da instituição, Arsene Wenger: “Se (Kylian Mbappé) tivesse nascido em Camarões, ele não teria se tornado o atacante que é hoje. Há a Europa e o resto do mundo”.

A CONMEBOL está firmemente comprometida com a luta contra expressões e gestos racistas ou discriminatórios, sejam eles provenientes de torcedores nos estádios, de atletas e técnicos no campo de jogo ou de oficiais através de declarações públicas. s palavras de Wenger – além de revelar uma ignorância incomum sobre a valiosa contribuição dos jogadores africanos no futebol mundial, especialmente no futebol europeu – mostram um viés preconceituoso que torna invisíveis os esforços dos jogadores de futebol e das instituições esportivas que não “estão na Europa”. Acontece com frequência que os preconceitos mais repugnantes estejam disfarçados de reflexões “fundamentadas” e “inteligentes”.

Assim como os africanos, nós sul-americanos conhecemos muito bem e em primeira mão este tipo de atitude, que se baseia na crença de que o mundo começa e termina na Europa. O talento, o espírito de sacrifício e o desejo de superação dos jogadores africanos e sul-americanos devem ser valorizados e respeitados.

Em segundo lugar, na carta referida, a CONMEBOL sentiu a necessidade de chamar a atenção em um aspecto crucial da recente aprovação das cinco modificações permitidas para cada equipe em jogos oficiais. Uma medida de emergência, tomada em circunstâncias inéditas de uma pandemia, tornou-se agora a norma definitiva. Sem julgar os argumentos a favor ou contra tal resolução, o certo é que ela foi adotada sem um processo de consulta que claramente teria enriquecido o debate.

Nem a CONMEBOL nem suas Associações Membro foram solicitadas para uma opinião ou análise sobre este assunto. Se as mudanças que têm efeitos globais em nosso esporte forem decididas unilateralmente, elas podem gerar irritação e desconfiança. Esta é uma prática de exclusão que tem sido repetida nos últimos tempos e está causando grande preocupação.

“Um futebol mais competitivo, de maior qualidade, inclusivo e mais justo será o trabalho de todos nós, em uma estrutura de cooperação, pluralidade e livre troca de idéias e experiências”, diz a carta.

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